Floreios e Borrões do passado.
Como se por alguns segundos... Tudo parou.
O ar era pesado e escasso.
Cada centímetro de meu corpo fora arrebatado para o interior daquele cubículo quarto, estava fria como o mármore, e a estática tinha deixado meus cabelos desordenados sob meus olhos, e não consegui reunir forças para discipliná-los, de certa forma me senti indefesa, fraca.
-estou cansada.
Primeiros passos, como de minha inteira precisão, observar é a primeira etapa em tudo que faço em vida, cama de casal com sua estrura em madeira sólida e escura, cabeceira talhada com motivos surrealistas, recheada por um colchão "king" em formato original, coberta por uma colcha floral horrenda e desfiada na ponta sob travesseiros enormes, o papel de parede me fez recordar o calabouço de minha infância, dois criados mudos sem Bíblia, uma mesa redonda com duas cadeiras de madeira gasta. Tudo floreado pelas imagens destocadas à sombra da janela central, era enorme, estava semi-aberta, enquanto a cortina azul Royal também floral se debatia violentamente em rodeios disformes, um cenário fantasmagórico e solitário.
Segurava fortemente a alça de minha mala de correr, e a bolsa preta de couro velha desajeitada jogo tudo sobre a cama, e quando me viro estou de frente ao pequeno guarda-roupas de madeira escura, com entalhes que me lembravam motivos sórdidos de um caixão, olhei ligeiramente a bagagem e o velho roupeiro, decididamente não ia fazer isso agora.
Ao lado um portal simples de madeira dava acesso direto a dependência do banheiro, virei me peguei à pequena frasqueira com meus objetos usuais, acomodei encima do pequeno gabinete com pia, e lentamente como um arrepio súbito veio sobre a cabeleira escura à moldura dourada do pequeno espelho circular, hesitei em levantar-me por algum tempo, lentamente dei confiabilidade a minha curiosidade natural, vagarosamente uma mulher erguia-se pouco orgulhosa em frente ao portal da vaidade. O contorno escuro ao redor dos olhos verdes sem brilho estava borrado, a pele ao redor dos lábios parecia frouxa, o cabelo escuro tinha seu brilho azulado. Não me senti feia. Desabotoei lentamente o vestido enquanto observava carinhosamente os contornos arredondados que me faziam mulher, o corpete preto escorregou rapidamente, revelando o colo, a pele parecia apetitosa.
Como por impulso levei uma das mãos sobre o seio nu, onde me sentia exposta á uma pintura íntima, por descuido deixo de olhar me e sigo ao fundo, a cama, a boca abre lentamente e como sem voz, sem ação, sem pensar, Ela estava sobre a cama trajando apenas roupas íntimas de um vermelho mais forte que o pecado, com olhos escuros e distantes, borrados intensamente com maquiagem, seus longos cabelos negros bagunçados. Balbuciou algo inaudível, virei me violentamente em direção a cama, e para meu espanto nada além do vento e a colcha floral meio desalinhada. Queria gritar...
-Estou louca
-Estou vendo coisas
Em sinal de demência caio de joelhos, sobre o vestido preto, não sei quanto tempo fiquei ajoelhada no banheiro, mas tive medo do passado.
O ar era pesado e escasso.Cada centímetro de meu corpo fora arrebatado para o interior daquele cubículo quarto, estava fria como o mármore, e a estática tinha deixado meus cabelos desordenados sob meus olhos, e não consegui reunir forças para discipliná-los, de certa forma me senti indefesa, fraca.
-estou cansada.
Primeiros passos, como de minha inteira precisão, observar é a primeira etapa em tudo que faço em vida, cama de casal com sua estrura em madeira sólida e escura, cabeceira talhada com motivos surrealistas, recheada por um colchão "king" em formato original, coberta por uma colcha floral horrenda e desfiada na ponta sob travesseiros enormes, o papel de parede me fez recordar o calabouço de minha infância, dois criados mudos sem Bíblia, uma mesa redonda com duas cadeiras de madeira gasta. Tudo floreado pelas imagens destocadas à sombra da janela central, era enorme, estava semi-aberta, enquanto a cortina azul Royal também floral se debatia violentamente em rodeios disformes, um cenário fantasmagórico e solitário.
Segurava fortemente a alça de minha mala de correr, e a bolsa preta de couro velha desajeitada jogo tudo sobre a cama, e quando me viro estou de frente ao pequeno guarda-roupas de madeira escura, com entalhes que me lembravam motivos sórdidos de um caixão, olhei ligeiramente a bagagem e o velho roupeiro, decididamente não ia fazer isso agora.
Ao lado um portal simples de madeira dava acesso direto a dependência do banheiro, virei me peguei à pequena frasqueira com meus objetos usuais, acomodei encima do pequeno gabinete com pia, e lentamente como um arrepio súbito veio sobre a cabeleira escura à moldura dourada do pequeno espelho circular, hesitei em levantar-me por algum tempo, lentamente dei confiabilidade a minha curiosidade natural, vagarosamente uma mulher erguia-se pouco orgulhosa em frente ao portal da vaidade. O contorno escuro ao redor dos olhos verdes sem brilho estava borrado, a pele ao redor dos lábios parecia frouxa, o cabelo escuro tinha seu brilho azulado. Não me senti feia. Desabotoei lentamente o vestido enquanto observava carinhosamente os contornos arredondados que me faziam mulher, o corpete preto escorregou rapidamente, revelando o colo, a pele parecia apetitosa.
Como por impulso levei uma das mãos sobre o seio nu, onde me sentia exposta á uma pintura íntima, por descuido deixo de olhar me e sigo ao fundo, a cama, a boca abre lentamente e como sem voz, sem ação, sem pensar, Ela estava sobre a cama trajando apenas roupas íntimas de um vermelho mais forte que o pecado, com olhos escuros e distantes, borrados intensamente com maquiagem, seus longos cabelos negros bagunçados. Balbuciou algo inaudível, virei me violentamente em direção a cama, e para meu espanto nada além do vento e a colcha floral meio desalinhada. Queria gritar...
-Estou louca
-Estou vendo coisas
Em sinal de demência caio de joelhos, sobre o vestido preto, não sei quanto tempo fiquei ajoelhada no banheiro, mas tive medo do passado.


