Tuesday, April 04, 2006

O horror, Ana e Eu

Defronte,
Estática,
Com o girar da cabeça de forma reportava: Um clima ameno, seguramente triste, sentia-se a umidade. Um brilho fora do comum destacava a calçada que se encontrava um pouco encharcada e olhando com atenção para o chão se via o que poderia ser um universo paralelo um novo universo poderia estar de cabeça para baixo. Em meus desvarios de querer ser, e estar como um pequeno tilintar do tempo, o escurecimento sugestivo, e ainda olhando fixamente meu reflexo na encharcada calçada, como num passe absoluto do acaso, Uma luz forte avermelhada dava um outro ar a minha imagem refletida, era incandescente; e como involuntariamente a curiosidade foi maior, ao levantar a visão como se suspensa ao vácuo da deserta rua, servindo como farol aos viajantes de terras distantes. Um luminoso forte que delicadamente manchava de rubro as escadarias escassas que levavam a porta daquele estabelecimento de hospedagem. Antes que retomasse meus movimentos, um ar gélido quase sem forças naturais, indicava-me a porta simples talhada em madeira antiga. Ao primeiro passo como um flash direto, as imagens de minha realidade foram alteradas, dei voz aos ecos do passado. Imediatamente o edifício estava revigorado, e ligeiramente misterioso e logo acima da esquina da Rua Menphis, duas garotinhas " em visão inocente" devidamente uniformizadas, conjunto azul-marinho, saia de pregas, meias pouco brancas á altura do joelho, colete de lã e ao lado esquerdo do peito a insígnia do Colégio católico San Brutus para meninas. Como sorriam, como se relacionavam, como se entendiam. Eu e Ana éramos as melhores amigas, após a conclusão do plano infalível de escapar dos estudos matinais obrigatórios, a cidade se tornava um pequeno parque de diversão e cada ruela uma nova aventura, adóravamos trocar a rua Menphis pela rua vazia do Horror Palace Hotel, e sem falar na constante curiosidade que tínhamos de ver a entrada dos mais exóticos hóspedes. E como ríamos das pessoas, e como sabíamos que tarde da noite o "horror" Hotel promovia festas seletas. Ana era tão linda, seu longos cabelos negros emolduravam o corpo magro e delicadamente talhado com a sutileza de um grande artísta renascentista, com 14 anos seus traços femininos eram bem definidos, seu rosto era celeste seus lábios tinham um frescor e toda a cor do pecado, e como um toque gentil e sofisticado; grandes e expressivos olhos verdes. Ana abria ligeiramente a boca quando lhe passava a pequena idéia de adentrar o horror hotel, ela fantasiava, e seus devaneios me levavam á loucura de uma noite lascívia e alucinante. Espero um dia reencontra-la. Como em uma queda de avião a turva visão retorna á minha relativa realidade e como por tais ironias do destino estou eu Julia em frente ao Horror palace Hotel. Há muito tempo não sentia sentimento algum, mas não mentiria pra mim mesma se não senti vontade encontrar Ana mais uma vez. Embora sabendo que isso nunca seria possível. A cada batida das rodinhas a velha escada um barulho irritante e como numa pequena perda de controle, perco o equilíbrio, o peso da mala me faz contrapeso, e de imediato a única intenção que tive era tentar cair da melhor forma possível. Com os olhos fechados senti uma mão grande sobre á minha e ao abri-los vejo minha mala semi-aberta ao lado do último degrau contundida. O jovem que me segurara era Eduardo, bem foi isso que li em seu crachá. Rude como sou não agradeci. Mecanicamente Eduardo pegou minha mala, fiquei sem palavras até porque estava um pouco desconcertada com o que houve. No balcão simplesmente fui fria e objetiva, como sempre trato as pessoas; embora bem no fundo via um olhar de generosidade naquele rapaz uniformizado. Enquanto respondia seu questionário imbecil de dados pessoais, observava o Hall como se voltasse a ser aquela garotinha curiosa, os carpetes vermelhos, velhos mas, com certo charme, á mobília escura de madeira maciça bem antiga creio que até com mais idade do que meu corpo cansado, lustres como eram misteriosos, logo abaixo uma pequenina sala de espera com dois sofás estampados, florais, irritantemente florais, mesinha de centro, flores plásticas em ornamento, um pouco empoeirada, e como saindo de um transe.
-Senhora, quarto 537, casal, o elevador no fim do corredor, e quer que leve as malas?
Senti certa ironia em Eduardo "quer que leve as malas?" Como se não fosse capaz de fazer isso, não lhe respondi nada, só queria ficar um pouco mais com meus pensamentos de menina e escutar a voz oscilante de Ana ao meu ouvido, maravilhada por ver o Horror Palace Hotel.

2 Comments:

Blogger ED said...

sim, é possível

4:41 AM  
Blogger ED said...

perfeito no elevador

4:22 AM  

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