Homenzinho, Rubilos Bertold
-Droga de vestido! tá empoerado.
Usa-se preto para não manchar, é o que popularmente se diz, mas uso preto por que me disseram que fico altiva. Disseram é um pouco de exagero ultimamente só tenho visto o mesmo sorriso amarelo de face cinza do meu advogado "Rubilos Bertold". O acho tão asqueroso, homem baixo, afinal advogados são de uma estirpe deplóravel, como dizia minha mãe verdadeiras meretrizes; atrás de fortuna fácil. Seus tic´s nervosos me irritam profundamente, aquelas piscadelas sem sentido e movimentos frenéticos quando fala, por pouco confundi como um ataque epilético. Rubilos é advogado da família há mais de 20 anos, odiava quando frequentava nossa casa, pai me pedia para o trata-lo com gracejos e educação, de certo modo não o culpo meu pai era um homem tolo e ignorante via em Rubilos a "luz do saber".
-"O DR.RUBILUS CHEGOU!"
Nossa! de forma patética aquele homem magrinho enchia-se de um olhar de imensa admiração seus olhos azuis quase se tornavam amarelos de tanta exaltação.
Logo entravam na sala principal rústica, decorada mediocremente por minha mãe, em primeira estância dois sofás estampados com figuras culiformes bejes, acima de um tapete marrom surrado e empoerado que tinha uma mancha de café que ficava cuidadosamente disfarçado embaixo do sofá da esquerda, ao centro uma mesinha baixa de madeira escura com bibelôs da êpoca da "santa ceia" de tão antiquados, o mesmo papel de parede encardido com listras verdes que tinha por toda casa, fizeram questão de nem poupar o banheiro. Uma cristaleira portuguesa cheia de porcarias inúteis de cozinha que nunca eram usadas.
-Ah! os quadros.
Quase havia me esquecido retratos antigos de familia pintados á óleo, até que gostava deles.
De certa forma era sempre a mesma coisa Rubilus entrava sentava fazia expressões ridículas com as mãos, pai olhava tudo maravilhado, e sempre assinavam alguma coisa que mal sabia o que era, e dias posteriores eles "brigavam" um pouco, porque a posição do meu pai era sempre a do "menininho que derrubou o leite". Ele julgava Rubilos seu mais íntimo amigo, outrora ele falecia por uma efisema pulmonar, Rubilus manda um cartão para a família com 3 meses de atraso contendo três magras linhas:
"Meus
sinceros
Pésares"
Em papel timbrado do escritório, nem sequer uma visita, embora os endereços de seu escitório e todos os pormenores de contato estavam quase saltando do papel em cor vermelha, no mesmo dia minha mãe se dirigia ao seu escritório as 2 da tarde, aguardava anciosa os detalhes por que sabiamos que eram apenas duas "indefesas" mulheres em casa; palavras esbaforadas todo momento pelos vizinhos. Impressiona-me com a rigidez de minha genitora, leu mecanicamente a postagem e a colocou na bolsa e só a vi bater a porta e gritar do outro lado.
-Vou ao escritório de Rubilos!
Agora me encontro aqui mais uma geração manipulada pelos caprichos de um advogado nanico e salafrário, afinal os direitos para abertura do espólio de minha mãe também estão em suas mãos.
Sim, minha mãe também faleceu. Embora isso não seja fator para o melodrama afinal foram mais de 10 ou 11 anos que não nos falamos, e pra ser sincera não cheguei á tempo de seu velório que datava da noite passada.
-Mas não tinha como! eu estava ocupada!
Não importa, não deu para vir e pronto e chega desta bobagem.
-Hum, modesto hotel. H-O-R-R-O-R P-A-L-A-C-E H-O-T-E-L
Eu não andarei mais. Aqui está ótimo, não aguento carregar esta mala com som irritante destas rodinhas, amanhã é um longo dia, papés idiotas para assinar e uma herança á receber.
-Deus! como odeio Rubilos!


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